No dia 26 de novembro de 2005 algo extraordinário aconteceu. Lembra-te? Não? Deixemos, por enquanto, esta resposta de lado e passemos a falar um pouco das estórias da história.
Na Grécia, no ano 480 a.C., antes mesmo do surgimento do nosso atual calendário, existiu um soldado de nome Leônidas que comandou um exército de 300 espartanos contra o poderoso exército persa na batalha de Termófilas. A luta foi completamente desleal já que os persas, liderados por Xerxes, tinham um esquadrão infinitamente superior aos gregos.
Na história, o conflito ficou marcado por inspirar toda a Grécia a se unir, ajudando a solidificar o tão tradicional conceito de democracia grego. A missão foi considerada suicida e é um ícone de hombridade e defesa de uma nação. Estas aventuras podem ser facilmente acompanhadas em filmes que contam essa batalha épica, baseados em fatos reais.
Para os que não gostam tanto assim das salas de cinema ou de filmes na telinha, um fato, também histórico, pode se comparar a esse acontecimento. Voltemos a falar de 2005. Mais precisamente 26 de novembro de 2005. Neste dia um pequeno exército azul, preto e branco tinha a missão de superar um batalhão de quase vinte mil homens.
O pequeno exército chamava-se Grêmio, pequeno em número jogadores e torcedores no estádio, mas grande em tradição. Esta batalha, a famosa Batalha dos Aflitos, marcou o futebol brasileiro e mundial.
Na ocasião, o tricolor gaúcho teria de vencer o Náutico, em Recife, para garantir à sua vaga na série A do ano seguinte. Fácil? Quem disse? Tudo transcorria normalmente até que um soldado (ou jogador) foi eliminado da disputa por cartão vermelho. O que já era uma covardia aumentava ainda mais com a eminência chance dos donos da casa vencerem a disputa.
O gol vermelho não saiu na primeira etapa, e de quebra, os gremistas ficaram sabendo que por resultados paralelos teriam que, pelo menos, segurar o empate contra o enfurecido Náutico se quisesse sair do inferno da segunda divisão.
O caldeirão vermelho do time pernambucano fervilhou mais ainda quando o árbitro Djalma Beltrame viu pênalti contra os gremistas. Ele alegou ter visto Nunes, um dos volantes tricolores, pôr a mão na bola. Tragédia! A partir daquele instante o futebol se transformou em batalha campal. Policiais espancavam jogadores, dirigentes e repórteres invadiram o campo, totalizando mais de 24 minutos de paralisação.
Torcedores e dirigentes pediam ao então treinador Mano Menezes que retirasse o time de campo. Isto não confirmou e a penalidade foi cobrada. Era Ademar contra o jovem goleiro Galatto, o Leônidas tricolor. Bastava um gol e o timbu subiria à primeira divisão deixando o tricolor gáucho por mais um ano na lamúria. Todos rezam. O Grêmio perde mais 3 jogadores. Os quatro expulsos choram no vestiário fechado que mais parecia um calabouço. Momentos de angústia de um lado e de esperança no outro. Atenção! Diziam os narradores. Prepara-se Ademar e… GALATOOOOOOOOOOOO!
Sim! O Leônidas dos pampas pegou a penalidade, defendeu, espalmou, salvou a nação tricolor. MILAGRE! MILAGRE! Era só o q se ouvia nos Aflitos. Mas ainda restavam 10 minutos. O time porto-alegrense precisava segurar o exército vermelho. Eram 11 vermelhos (mais o juiz) contra apenas 7 gremistas. Um no gol, Galatto, e outros seis espalhados pelo campo. O objetivo era um só segurar o ataque adversário e não sofrer gol.
Anderson, um moleque atrevido que entrara em poucos instantes, não sabia do combinado de se defender e partiu para cima dos 4 ou 5 defensores do dono da casa. Davi contra Golias. Apenas um “negrinho abusado” ignorando a lógica da democracia grega em que a maioria vence.
No lance seguinte ao milagre de Galatto ele pega a bola e parte em disparada ao gol adversário. È travado e derrubado com falta, inclusive expulsando o infrator. Pronto! Era o que os visitantes queriam. -“Fica deitado!”, -“Mata tempo”, gritavam os dirigentes e os jogadores do banco de reservas gaúcho.
E quem disse que o nada obediente Anderson ouvia ordens. Cobrança rápida, outra vez na contramão da lógica, e o garoto fez calar um estádio. Fez explodir os gremistas que viam tudo pela TV. Era gol. INACREDITÁVEL! INACREDITÁVEL! Com apenas sete homens em campo o Grêmio, não só se livra de sofrer o gol da derrota com ainda faz o seu com Andershow, -“Ele é craque”, -“Ele é show”. Em Porto-Alegre todos choram, no Recife todos correm para todos os lados do campo sem nem saber como e se deveria comemorar, já que ainda restavam nove minutos de uma batalha covarde como a dos persas.
Mas depois do gol é que o exército azul se uniu, era “um por todos e todos por um”, afinal este é lema do mosqueteiro, símbolo tricolor. Os nove minutos se passaram e nada de gol pernambucano. Todos ainda choravam, se abraçavam, a partida decisiva estava se tornando histórica. O mundo nunca vira isso.
Hoje todo dia 26 de novembro é comemorada a imortalidade tricolor. Quatro anos já se passaram dessa epopeia, mas jamais alguém esquecerá. Como os gregos, o legado na história é do Grêmio, apesar de um exército enfraquecido, afrontado, estes jamais desistiram e honraram a tão tradicional nação gremista.
Como Leônidas, o Grêmio jamais se entregou, enfrentou essa batalha pela honra e pela dignidade, mesmo com um exército menor ao do inimigo. É por essas e outras que, na Azenha ou nos quatro cantos do mundo o time é conhecido como o Imortal Tricolor.
Renan Dias Silveira

Escrito por esportetanarede 






